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Endividamento e inadimplência chegam ao maior nível desde 2010

Rogerio
Atualizado em

O que você verá neste artigo:

CNC mostra que 78% das famílias brasileiras estão endividadas e 29%, com contas atrasadas — os maiores índices desde o inicio da pesquisa, em 2010. Indicadores voltaram a subir depois de três meses de queda, devido à disparada da inflação e à alta dos juros

Após três meses em queda, o endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras voltaram a bater recordes. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 78% das famílias brasileiras estão endividadas e 29% estão com contas atrasadas, maiores percentuais registrados desde 2010, quando começou a apuração mensal.

O aumento do endividamento foi de 0,7 pontos percentuais na comparação com o mês anterior, já o indicador de contas em atraso teve alta de 0,5 ponto em relação a junho. O percentual de comprometimento da renda com dívidas permanece em 30,4%, desde abril, mas 22% dos brasileiros têm mais da metade da renda consumida por dívidas. Em julho, a proporção daqueles que afirmaram não ter condições de pagar os débitos já atrasados cresceu 0,1 ponto em relação a junho. A aceleração do endividamento neste início de semestre ocorreu de forma semelhante nas duas faixas de renda pesquisadas.

“As classes de despesas das famílias que ganham menos são justamente as que tiveram maiores aumentos recentes de preço, então essas famílias acabam gastando parcela maior do orçamento para fazer frente ao avanço da inflação. Ou seja, as famílias com menor renda aumentaram o endividamento, a despeito dos juros altos, para sustentar o nível de consumo”, explicou Izis Ferreira, economista da CNC, responsável pela pesquisa.

A falta de demanda em alguns setores do comércio durante a pandemia fez muitos donos de estabelecimentos se endividarem. É o caso da Elisângela de Souza, cabeleireira, de 48 anos, que possui um salão de beleza no Lago Azul, em Goiás. No período mais forte do isolamento, a loja teve de fechar, e, mesmo após a reabertura, o movimento não é mais o mesmo. “As pessoas estão com pouco dinheiro e acabam deixando de se cuidar para priorizar outras coisas, então, o movimento do salão caiu muito. Eu vou fazendo o que aparece, faxina, trabalho como cuidadora e, assim, vou me virando. Mas o que eu quero é arrumar um emprego em que ganhe bem limpar meu nome aos poucos”, afirmou.

Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a alta da inadimplência mostra que as medidas de suporte à renda, como os saques extras do FGTS e a antecipação do 13º salário dos beneficiários do INSS, tiveram efeito apenas momentâneo no pagamento de contas ou dívidas atrasadas, concentrado no segundo trimestre deste ano.

Cartão de crédito

Do total de endividados no País, 85,4% têm dívidas no cartão de crédito, proporção que havia chegado a 88,8% em abril. Na comparação dos grupos de renda, desde fevereiro deste ano, a proporção de endividados no cartão de crédito está maior entre as famílias que ganham mais de 10 salários mínimos, mas o indicador aproximou-se do observado entre as famílias com renda inferior a esse valor.

Os consumidores com até 35 anos de idade são o grupo mais endividado no cartão de crédito, 87,5%. Anne Caroline Damasceno, de 28 anos, conseguiu há pouco tempo um emprego em uma agência de telemarketing. Há cerca de um ano, ela se endividou por não conseguir pagar todas as contas da casa. “A gente não espera isso, né? Só que aconteceu um imprevisto e a gente tem que ir atrás de regularizar”, disse a atendente.

Outro destaque da pesquisa é a queda do número de financiamento de automóveis ou da casa própria para 10,6% e 7,6%, respectivamente. O motivo para menor uso de crédito de longo prazo também é a alta dos juros, que aumentaram em média 5,8 pontos percentuais em um ano, para carros, e 2,8 pontos, no caso da aquisição de imóveis pelas pessoas físicas.

Fonte: CB

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